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24 de mai. de 2014

Homicídios crescem 49% no início de 2014 e deixam brasilienses aflitos

Por Elijonas Maia


O brasiliense nunca se sentiu tão desprotegido como no início deste ano. Apenas no primeiro mês, 78 pessoas foram assassinadas, de acordo com dados entregues pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) à Folha do Cerrado. Desse total, 73 foram por homicídio e cinco por latrocínio (roubo seguido de morte). Com isso, a média de mortes para janeiro ficou em 2,5 ao dia. Esse número significa um aumento de 49% em relação a janeiro de 2013, quando houve 49 assassinatos.

Ceilândia foi a cidade campeã em número de homicídios, com 15; seguida de Planaltina, com 12; e Samambaia, 9. De todas as 31 regiões administrativas do DF, apenas nove delas não registraram mortes. O dia mais violento foi em 26 de janeiro, quando oito pessoas foram assassinadas.



A especialista em segurança pública Lia Zanotta Machado, da Universidade de Brasília (UnB), diz que os altos números de homicídios na capital do país são inaceitáveis. Segundo ela, Brasília tem um nome a zelar e precisa dar exemplo aos outros estados do país. “É inadmissível que os homicídios e a falta de segurança pública no DF chegue a números tão alarmantes”, conta. Segundo ela, Brasília está em crise por causa da omissão do governo.


Amedrontada, a população se sente desprotegida e busca meios para se sentir mais segura por conta própria. O estudante de engenharia civil Rafael Silva, 23 anos, teve seu carro roubado na porta do prédio onde mora, em Taguatinga. Felizmente, recuperou o veículo um dia depois, mas, segundo ele, o medo permanece. Desde o ocorrido, redobrou os cuidados quando chega em casa. “Ninguém nunca acha que acontecerá consigo mesmo. Mas com a falta de segurança que temos hoje, qualquer um está exposto”, salienta.

O ex-secretário de Segurança Pública do DF Sandro Torres Avelar diz que a insatisfação da população é compreensível, mas atribui a alta no número de homicídios à Polícia Militar do DF. Para ele, há uma disputa política entre comandantes da corporação que atrapalha o trabalho dos agentes. ”Apesar dos conflitos internos, estamos trabalhando na maior normalidade possível, a fim de levar segurança à sociedade”, reforçou Avelar, que também é delegado da Polícia Federal.

Mais mortes
Nas anotações em diário que a Polícia Civil do Distrito Federal entrega à SSP/DF e obtido pela Folha do Cerrado, os casos de latrocínio não entram nas estatísticas de homicídio, mesmo quando terminam em morte. Com isso, os números de assassinatos no DF são maiores que os divulgados. São 78 mortes por assassinato, e não 73 como divulgado inicialmente.

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